Domingo, 21 de Novembro de 2010

Carlos Cardoso Was a Good Man

Johnny Was
Bob Marley
Composição: Rita Marley

Woman hold her head and cryCause her son had been shot down in the street and diedFrom a stray bullet

Woman hold her head and cryExplaining to her was a passer-byWho saw the woman cry

Wondering can she work it outNow she knows that the wages of sin is deathThe gift of God is life

Oh, oh, oh, ohJohnny was a good manoh yeah

Woman hold her head and cryCause her son had been shot down in the street and diedJust because of the system

Woman hold her head and cryComforting her I was passing byAnd I saw the woman cry

She cried, oh, oh, oh, ohJohnny was a good manNever did a thing wrong

Take it down

Johnny went out on a Saturday nightNever hurt anybody never started no bar room fight
Johnny never did nobody no wrongNever hurt anybody never hurt anybody
Johnny was a good manJohnny, Johnny, Johnny...
Johnny was a good man(Repeat)

In a top floor flat in the middle of the nightThere's a man with rifle and Johnny in his sight,I said oh no, we can't let that kind of thing happen here nomore
Oh noJohnny, Johnny, Johnny...

A single shot rings out in a Belfast night and I said ohJohnny was a good man

Can a woman's tender careCease towards the child she bears

Johnny (Repeat)





Segunda-feira, 26 de Julho de 2010

PRESIDENTE DOS SONHOS PARA MOÇAMBIQUE

Compatriotas,

Não podia ficar alheio ao debate sobre o novo presidente de Moçambique, que apesar de ainda incipiente, promete. Infelizmente, a figura do presidente da república está muitas das vezes associada ao sucesso ou fracasso no progresso de vários países a nível mundial, sobretudo nos menos desenvolvidos.

Os países africanos e Moçambique em particular passaram por vários contextos que ditaram o tipo e perfil de presidentes que tivemos até então.

Actualmente, fazendo parte dos cidadãos que irão contribuir directa ou indirectamente para a escolha do presidente ideal para Moçambique, achei importante traçar o perfil do meu presidente dos sonhos.

Sem má intenção, continuo a acreditar que o novo presidente sairá das fileiras da FRELIMO. Sinceramente falando, pelo menos até agora, ainda não surgiu em Moçambique um candidato ou partido da oposição com um discurso coerente e que possa desviar o voto do partido que se pretende milenar.

Portanto, a oposição tem muito que re-afinar a sua estratégia de actuação em Moçambique, o que passa por vários desafios (um dia vou colocar um artigo sobre isto), nomeadamente:

(i) Como identificar e combater infiltrados nesses partidos.

(ii) O desenvolvimento de estratégias de sustentabilidade económico-financeira.

(iii) A preparação de figuras coesas, limpas, sem rabos-preso no passado recente de libertação do país ou de guerra desestabilização.

(iv) A capacidade de passar do discurso para a acção. Por exemplo, em vez de prometer mundos e fundos durante as campanhas eleitorais, deviam praticar acções de responsabilidade social, como constituir e oferecer uma escola ou furo de água a uma comunidade X.

(v) Aparecer no quotidiano com posicionamentos bem pensados e suportados cientificamente por uma massa cinzenta que deverá ser criada no seio desses partidos;

(vi) E vários outras estratégias e posturas que irei discutir no artigo que irei dedicar à Oposição em Moçambique: Que Estratégias?

Nesta ordem de ideias, até prova em contrário, o meu presidente dos sonhos só poderá sair da FRELIMO.

O meu sonho é de que esse presidente devia ser um economista. Alias, tenho defendido isto para todos os países em desenvolvimento (prefiro chamá-los pobres).

Não quero com isto dizer que outros profissionais não tenham capacidade. Mas um economista, dada a sua inclinação para o estudo de estratégias de desenvolvimento, poderia tirar o país da pobreza mais rápido que um outro profissional formado em outras áreas ou sem formação específica.

Aqui, quando falo de economista não me refiro a pessoas que andaram a ter o ABC de economia nos MBAs ou em outras aventuras. Refiro-me a um economista de raiz, dotado de bases sólidas e ferramentas próprias para resolver os problemas de desenvolvimento.

Há quem possa dizer que estou a exigir demais para um presidente, que ele não governa sozinho, vai ter sempre assessores, etc. Isso até pode ser verdade e que há vários exemplos no mundo, que mesmo sem serem economistas, os presidentes conseguiram promover desenvolvimento sustentável e progresso dos seus países.

Mas compatriotas, sejamos realistas. África (Moçambique em particular) precisa de presidentes economistas, porque tirar o país da pobreza é uma questão urgente. Para corresponder com esse desafio, precisamos de um presidente que esteja no centro dos acontecimentos. Precisamos de um verdadeiro actor de desenvolvimento e que todas as políticas traçadas estejam no cerne da sua criatividade e imaginação.

Para completar o dueto, um grande e visionário presidente economista, devia também estar acompanhado por um Ministro de Desenvolvimento robusto (de preferência economista), com posições próprias e até de certa forma académicas e filosóficas sobre o desenvolvimento.

Naquela semana das celebrações do 25 de Junho, dia da nossa independência, andei a ler vários jornais, com o objectivo de ver (do rol as figuras abordadas, aquela que tinha uma abordagem de um verdadeiro estadista. A maioria era aquela base: lamber botas até brilharem. Mas em certa medida, acho eu, que foi no Semanário Domingo, deparei-me com Tomás Salomão tocando no ponto essencial e demonstrando uma visão clara sobre as principais linhas que Moçambique deverá tomar rumo ao desenvolvimento.

Apesar de não ter lido muito Tomás Salomão, até ao ponto de pegar a sua filosofia do desenvolvimento, acho que devíamos prestar um pouco mais de atenção nesta figura. Este é o perfil de presidente dos meus sonhos. Acredito haver muito mais figuras, economistas, escondidas tanto internamente como no exterior.

Obviamente, associado à sua robustez e visão sobre o desenvolvimento (não aquele equacionado em planos quinquenais), o presidente dos meus sonhos deverá possuir valores e princípios humanísticos, democráticos, de inclusão, equidade e uma política clara de redistribuição de rendimento. E cativar! Sempre! Não com discursos messiânicos, mas com propostas de soluções possíveis, associadas à uma capacidade de colocar meios e recursos para podermos a arrancar.

Votos de uma boa escolha. E Escolham um Moçambique melhor!

Segunda-feira, 19 de Julho de 2010

Can´t Take Your Slogans No More

Slogans são também instrumentos de dominação. Também fontes de distracção do povo, desviando-o de questões centrais do seu desenvolvimento e busca incessante dos seus direitos. Isto é, são frases ocas e desprovidas de qualquer valor ou conteúdo. Portanto, qualquer slogan é suspeito. Eu particularmente não acredito em slogans e teria muita dificuldade em opinar sobre coisas como Geração da Viragem.

Vejam o que diz Bob Marley sobre Slogans AQUI.

Segunda-feira, 12 de Julho de 2010

7 Milhões para os Distritos: Uma alocação Ineficiente dos Recursos

Segue abaixo um texto que escrevi lá para 2008. Acredito que ainda vale a pena reflectir sobre este assunto sempre actual. A qualquer momento o texto poderá ser revisto e/ou melhorado.

Contexto e Funcionamento

Moçambique goza actualmente de uma estabilidade macroeconómica, social e política. O PIB se situou em cerca de USD 6 Biliões em 2007, com um crescimento de 7%. A taxa de inflação está próxima de 1 dígito, estando na casa dos 10%. O investimento (sobretudo investimento estrangeiro) tende a aumentar, principalmente na área de turismo e recursos naturais. Apesar dessa tendência, o orçamento do estado continua a ser financiado por fundos externos em mais de 50%, o custo de vida continua elevado e o país ainda experimenta níveis elevadíssimos de pobreza absoluta, calculados em cerca de 50% e um baixíssimo índice de desenvolvimento humano reflectindo deficiências na educação, saúde e baixo desempenho económico.

É dentro dos esforços de desenvolvimento do país que o governo vem acelerando os processos de desconcentração e descentralização administrativa e financeira dos vários órgãos e instituições do Estado. Associado a isso, o principal slogan do actual Presidente da República se inspira na visão do Distrito como Pólo de Desenvolvimento e que para tal defende que este deve ser dotado de recursos próprios, geridos pela própria comunidade, visto que esta conhece melhor os seus problemas e que está na melhor posição de definir por si própria, as prioridades de desenvolvimento local. Assim, arranjos jurídico-legais foram efectuados para enquadrar a criação do Fundo de Investimento de Iniciativa Local (vulgos 7 milhões) e por essa via dar vida o slogan presidencial.

O Fundo de Investimento de Iniciativa Local é uma dotação orçamental na despesa de investimento de cada um dos 128 distritos, criado em 2006 com o objectivo de financiar iniciativas, com impacto imediato na melhoria das condições de vida da população local, nomeadamente na produção de comida e criação de emprego.

O fundo é gerido por um Conselho Consultivo distrital (CC). Este congrega as autoridades comunitárias, os representantes de grupos de interesse de natureza económica, social e culturais escolhidos pelas comunidades na base de confiança. O conselho consultivo transporta as preocupações das comunidades, nomeadamente no domínio social, económico e cívico. Apesar das decisões sobre a aplicação dos fundos ser feita ao nível do CC, estes são movimentados pela Administração do Distrito, visto esta estar familiarizada com as regras da administração financeira do Estado. As taxas de Juro aplicadas nos empréstimos concedidos no âmbito deste fundo, variam entre 1%-12% dependendo da actividade. Não foi possível apurar as condições em termos de montantes mínimos e máximos, muito menos os prazos de reembolso exigidos.

No início, quase todos os distritos derraparam na aplicação deste fundo. A maior parte dos administradores alegou falta de instruções claras sobre a utilização dos fundos. De facto, um governante chegou a afirmar que “deixamos o critério em aberto para estimular a criatividade”. Nesta fase, uma grande parte do fundo foi aplicado para reabilitação de edifícios e casas, compra de mobiliário e material, motorizadas, etc., para as administrações, reabilitação de estradas, saneamento do meio, construção ou reabilitação de escolas e hospitais. Mais tarde, houve uma insistente campanha de sensibilização sobre o uso correcto dos fundos. A “nova” abordagem do uso dos fundos locais pregava o uso dos 7 milhões para a produção de comida e geração de emprego. Nos últimos tempos, os fundos estão a ser alocados a projectos de geração de rendimento e emprego em diversas áreas, como agro-pecuária, agro-processamento, pesca, abastecimento de água, construção, mecânica e serralharia, carpintaria, corte e costura, etc.

O impacto desta iniciativa é visível em vários distritos, apesar de várias reclamações sobre a falta de clareza da atribuição dos empréstimos aos pequenos empresários. Associado a isso, há um problema de sustentabilidade do fundo, devido ao grande potencial de baixo reembolso por parte dos beneficiários. Este facto, leva a que o Estado tenha que injectar fundos anualmente como se de investimento público se tratasse. Por acaso, como é recuperamos os fundos aplicados pela Administração na reabilitação de uma estrada? Ou fundos aplicados a projectos insustentáveis e com falta de serviços e infra-estruturas de apoia à produção?

O nível de reembolsos dos fundos é baixo por falta de critérios e estratégia consistente de gestão destes fundos. Uma das facilidades para o acesso a este fundo é a não apresentação de garantias. Esta facilidade devia ser combinada com o rigor na avaliação dos projectos sob o ponto de vista da sua probabilidade de sucesso, associada ao perfil do empreendedor e ao real potencial do negócio para um determinado distrito ou região. Ainda, há vários casos de atribuição dos fundos a singulares, numa situação em que se devia privilegiar sociedades ou associações, para além da atribuição de montantes bastante pequenos, com pouca probabilidade de produzir impactos palpáveis.

Racionalidade Económica do Fundo

A nova abordagem do Distrito como centro de atenções em questões de desenvolvimento é bastante inovadora e com grande potencial de alcance desse objecto. Contudo, não concordo que o distrito seja o pólo de desenvolvimento, se bem que ainda não percebi claramente a essência desse discurso. Eu prefiro tratar o distrito como o centro de produção de matéria-prima bruta ou pré-processada para a indústria que devia estar localizada entre a cidade e o campo. Esta lógica é sustentada pelo facto da cidade estar mais equipada com infra-estruturas e com mão-de-obra qualificada, para além da tendência de migração ser de campo-cidade. Por exemplo seria insensato procurar construir universidades no campo. O campo precisa de ensino técnico médio Professional. Isto é, se a tendência de migração é essa, é possível montar uma espécie de filtro no meio do caminho, onde de facto só transita para a cidade aquele que “provar” possuir capacidade de suportar as modernidades, custo de vida e disciplina urbana. Esse filtro, para além de descongestionar as cidades, seria um contributo para o aumento da produção e produtividade, e por essa via, para a promoção do desenvolvimento através da promoção da indústria. Na verdade, esta zona entre o campo e a cidade é que deve constituir o verdadeiro Pólo de Desenvolvimento.

O fundo da iniciativa local devia portanto, financiar iniciativas de produção de matérias-primas para a indústria, através da promoção do pequeno empresário local. O fundo devia ser alocado aos distritos por outras vias e não pela via do orçamento do estado. Esse fundo devia ser gerido por instituições financeiras vocacionados para o efeito, que oferecem, como pretende o estado, condições de crédito favoráveis (custo, prazo e pouca burocracia), mas aliado a isso, um bom e criterioso sistema de concessão e recuperação dos fundos. Planificar e identificar necessidades locais não significa necessariamente ter dinheiro em mão para implementar iniciativas locais. É possível uma coabitação entre os Conselhos Consultivos e Fundo, mas o fundo deve ser gerido por uma instituição vocacionada a promoção de pequenos negócios. A título do exemplo, o próprio Estado possui instituições parecidas, como o FARE, iniciativas que promovem a expansão de bancos para as zonas rurais, etc. Qual é a relação entre essas iniciativas e os 7 milhões? Com a actual abordagem do desenvolvimento local, o estado concorre com instituições financeiras privadas e com várias ONGs que operam nos distritos. O Estado deve cuidar das suas tarefas tradicionais, que consistem na garantia de infra-estruturas e serviços públicos. Não deveria o Estado garantir várias actividades através dos canais normais, como das direcções distritais dos vários ministérios? Por exemplo, porquê temos de construir ou reabilitar sistemas de rega ou comprar sementes melhoradas com os 7 milhões, se temos no mesmo distrito uma direcção distrital da agricultura com orçamento respectivo? A mesma pergunta é válida para a área de estradas e pontes, saúde e educação. Ou seja, não estaríamos a substituir as atribuições destes órgãos com os malditos 7 milhões. São malditos porque, apesar de financiar a produção de comida, em vários pontos do país são fonte discórdia e ódio, sobretudo na relação comunidade - governantes locais. Por exemplo, não sei quantos, mas já caíram vários administradores e dirigentes por causa deste fundo.

Uma das provas da falta de estratégia nesta iniciativa é a atribuição do mesmo montante (7 milhões) a cada distrito. Qual é a racionalidade de tal procedimento, se os distritos tem tamanhos e potencial de desenvolvimento diferente? Qual é afinal o ponto de partida? Ainda, como é que podemos esperar uma boa gestão de fundos se deixamos os critérios de uso dos fundos com os Conselhos Consultivos, e atribuímos os fundos a beneficiários com falta de experiência de gestão de negócios? Os beneficiários, para além de possuir alguma experiência (ou no mínimo haver garantia de formação destes, antes de atribuir o fundo) deviam ser associações ou sociedades entre pequenos empresários de modo a conferir maior profissionalismo e espírito empreendedor.

O outro factor crítico para o sucesso desta iniciativa seria a realização de um trabalho de fundo com vista ao desenho de perfis distritais sob ponto de vista de potencialidade de negócios. Por exemplo, está claro que nem todos os distritos são propícios à produção de banana. O que significa que financiar a produção de banana num distrito sem condições para tal, seria o mesmo que enterrar dinheiro. Os 7 Milhões deveriam financiar apenas projectos pré-definidos de acordo com as especificidades de cada distrito. Caberia ao governo (ex. Ministério da Planificação e Desenvolvimento) encomendar a elaboração de estudos de pré-viabilidade dos negócios com maior potencial de sucesso em cada distrito e que os fundos distritais apenas deveriam financiar projectos alinhados com esse perfil.

Em suma, a iniciativa de colocar tomar o distrito como a base de planificação e desenvolvimento é estratégica. Para tal, é legítimo criar um fundo específico para o financiamento de iniciativas de desenvolvimento local. Entretanto, essas iniciativas deverão ser coordenadas dentro de uma estratégia nacional, que na minha opinião, estaria concentrada na promoção da indústria e exportações como o principal destino da produção local. Esse fundo devia ser gerido separadamente e não caberia no contexto de orçamento do Estado. Portanto, seria ideal criar uma instituição (ou usar as actualmente existentes) equipada com infra-estruturas, meios e uma componente de capacitação aos beneficiários e ao CC em matérias de empreendidorismo e gestão de negócios. Quanto ao Estado, este continuará com a sua tarefa de prestar serviços públicos e na criação de infra-estruturas, cujo âmbito ultrapassa o conceito de distrito. Portanto, o Estado continuaria como facilitador e principal articulador do desenvolvimento e a mão invisível da economia do mercado (se existir) cuidará do resto.

Sexta-feira, 25 de Junho de 2010

35 Anos da Dependência Económica de Moçambique

Independence means more than the granting of national flags and anthems, and without real and effective freedom in economic and political spheres, liberty becomes a mere catch-phrase devoid of content. H.I.M Haile Selassie I, of Ethiopia.

Celebramos hoje 35 anos da independência de Moçambique, num contexto em que o país carece de uma política económica coerente e determinada a tirar urgentemente o país da pobreza.

Gostaria antes de mais saudar este dia tão importante para todos. Este dia representa para nós, uma grande e incontestável vitória contra o colonialismo e uma oportunidade única para conduzirmos o país segundo os nossos sonhos, estratégias e com o fim último de garantir uma vida melhor para cada um de nós.

O pressuposto básico da luta pela independência se assentava na busca de soberania há séculos usurpada e na percepção de que ninguém de fora, senão nós próprios, poderia garantir o nosso bem-estar.

Esse é que foi o grande canalizador da necessidade da independência e foi devido a essa visão comum que todos os moçambicanos, cada um à sua maneira, em Tanzânia, em Lourenço Marque ou em outra parte do país, lutaram por esta independência.

Hoje, volvidos 35 anos, atravessados pela ditadura marxista-leninista, pela guerra civil e por mudanças sócio-económicas e políticas importantes, sobretudo, derivadas por mudanças na conjuntura internacional, continuamos mergulhados numa eterna dependência económica e focos alarmantes de pobreza absoluta.

Volvidos 35 anos, vivemos dum orçamento de estado que depende em mais de 50% da ajuda externa, há problemas sérios de emprego, sobretudo nas cidades e uma actividade produtiva praticamente inexistente ou simplesmente caracterizada pela prestação de serviços.

Hoje, 35 anos depois, o valor da nossa Moeda tem conhecido uma desvalorização contínua e eterna em relação as principais moedas como o Dólar, Rand e Euro. Por mera ou natural coincidência, o câmbio MT/USD ronda aos 35 também.

O despencamento do Metical, sobretudo em ralação ao Dólar nos sugere uma matemática perfeita da nossa dependência. Como quem diz, ganhamos 35 anos de independência, mas perdemos 35 em termos de estabilidade económica e perspectivas de desenvolvimento. É como quem diz 35 (menos) 35 (igual a) zero independência económica. Esta matemática simples e natural constitui um desafio para nós.

Não estou aqui a sugerir que paremos para chorar, em vez de festejar. A festa da derrota do regime colonial-fascista de Portugal continua e durará para sempre, mas não nos esqueçamos da real motivação da luta: o bem-estar para todos, igualdade de direitos e oportunidades.

Para alcançar esses sonhos, que de certa forma continuam distantes para a maioria dos moçambicanos, precisamos de montar políticas económicas e sociais bastante coerentes e baseados nos recursos naturais de que dispomos, na vontade (desde a primeira hora) da comunidade internacional nos apoiar e nas parcerias estratégicas de negócio que podemos estabelecer com as empresas multinacionais e os países desenvolvidos interessados nos nossos recursos e mercado.

Um dos pontos de partida rumo à independência económica é a produção interna. Um desenvolvimento baseado em prestação de serviços, importação de quase tudo, baixa produção interna e fracas exportações é praticamente impossível.

O desenvolvimento empresarial, já que são inquestionáveis os nossos avanços na educação e na saúde, será a chave e catalisador do processo de desenvolvimento de Moçambique.

Acho que os doadores deviam parar de colocar dinheiro num saco, que para além de contribuir para o aumento da nossa dependência, constitui uma alocação ineficiente de recursos (tal como os 7 milhões) e contribui para o nosso relaxamento na busca de cada vez mais fontes de receitas fiscais para a realização cabal das nossas despesas.

Esse dinheiro, poderia ser gerido com mais transparência e com resultados palpáveis se fosse aplicado em programas concretos de desenvolvimento, sobretudo no desenvolvimento empresarial, mais virado a produção interna propriamente dita, nomeadamente indústria, agro-processamento, etc.

Volvidos 35 anos, acho que devíamos estar mais preocupados não apenas em festejar, mas sim em debater a melhor estratégia para erradicar a pobreza. Se bem que não há muito a debater, basta eliminar a corrupção, a expropriação do estado e do país, e o desenvolvimento duma visão de que a riqueza da minoria de ricos de hoje, só será sustentável e poderá se multiplicar cada vez se a maioria também progredir e desenvolver uma capacidade de compra de qualidade. A não ser que prefiram investir essa riqueza em bolsas de valores em países mais desenvolvidos.

Estou particularmente a favor do surgimento de uma burguesia nacional. Independentemente da dinâmica de acumulação a ela associada, deve ser feita numa perspectiva de geração de emprego, alargamento da base tributária para o estado e com base em políticas bem claras de investimento público e redistribuição de rendimentos para todos.

Em fim, o estado precisa de criar meios e um ambiente propício ao desenvolvimento. Acredito pouco nas homilias do combate da pobreza absoluta (material) partindo da pobreza mental. A pobreza não está e nunca esteve nas nossas mentes, como se diz por ai, a nossa pobreza está na falta de meios e plataformas para arrancar.

Quantas pessoas possuem ideias inovadoras e empreendedoras adormecidas em projectos e estudos sem financiamento? Quantas pessoas se esforçam em produzir durante uma campanha inteira e no fim não tem como escoar a produção para os pontos de comercialização? Quantas pessoas investem na educação, incluindo a superior, para contar ruas por falta de emprego ou meios para começar com um negócio? Quantas?

Volvidos 35 anos, apesar de sermos ainda uma nação jovem, tendo em conta as oportunidades e potencialidades internas e a ajuda externa que recebemos até hoje, a essas alturas já dava para começar a sonhar com uma independência económica.

Como a independência total e completa continua um sonho, convido a todos, sobretudo os que dirigem os destinos deste país para declarar hoje, a luta contra a pobreza, para que volvidos 10 anos de luta, proclamemos a nossa independência económica. Acho que é possível, é uma questão de vontade.

A Luta Continua!

Quarta-feira, 16 de Junho de 2010

A LÓGICA DA AJUDA EXTERNA

Tenho lido vários artigos sobre a ajuda externa em jornais e blogs moçambicanos e o que tenho notado, independentemente da qualidade desses artigos, muitos deles falham em evidenciar a verdadeira lógica da ajuda ou apoio ao desenvolvimento.

Acho que para um melhor entendimento desta problemática vital para o desenvolvimento, seria importante entender o que move os países industrializados/ desenvolvidos as nos apoiar.

Esse entendimento, para além de melhorar a nossa capacidade de diálogo com os doadores, constitui um passo inicial para reflexão sobre a melhor maneira de estancar a corrupção, sobretudo a grande corrupção.

Para mim, a lógica de apoio ao desenvolvimento é meramente económica. Isto é, os países desenvolvidos já chegaram à conclusão há muito tempo, de que não seria possível crescerem ou continuarem a inovar sem garantir um mercado cada vez maior e com capacidade de compra.

As crises económicas mundiais que ocorreram ao longo da história e o fim do colonialismo no mundo contribuíram para essa consciência e para a introdução da moda de apoio ao desenvolvimento.

Com um acelerado avanço tecnológico, o mercado de cada país desenvolvido ou sua região mostra-se inadequado à contínua inovação e crescimento económico, e que se não se abrirem novos mercados para a sua produção, as crises económicas e de super produção não tardariam a acontecer.

Com o avanço tecnológico, um único país desenvolvido, por exemplo europeu, seria capaz de produzir uma quantidade de pares de sapatos para a totalidade da sua população num único dia. A pergunta seria: e nos outros dias? Porquê esse país iria continuar a produzir? Para quem?

Ai é onde entra a lógica do comércio externo, mas mesmo assim, exportar para onde? Moçambique? O moçambicano tem capacidade de compra? Não. Então vamos potenciar esse “indígena” com capacidade aquisitiva, dando saúde, educação, infra-estruturas, emprego e acima de tudo rendimentos para comprar continuamente.

Nessa operação de criação de capacidade de compra, o doador/ país desenvolvido começa a enfrentar o problema. Nem todo o apoio alocado à saúde, educação, infra-estruturas, etc., é usado de forma transparente e eficiente, falhando em grande medida o alcance desse objectivo.
A criação de capacidade de compra (o que chamaríamos de qualidade de vida/ desenvolvimento) não acontece de forma proporcional com a velocidade com que os fluxos de ajuda externa entram no país.

Há aqui um efeito de caixa de ressonância, onde o grito é maior na extremidade de controlo/ tais gestores públicos e vai diminuindo à medida de tenta alcançar o público-alvo. É a corrupção a fazer o papel do vento que enfraquece ou elimina o som antes de chegar ao destino.

É por isso mesmo que acredito que os doadores jamais irão parar de fornecer o apoio ao desenvolvimento, a não ser que esses fluxos de ajuda externa passem a produzir o impacto desejado, que os países receptores melhorem o desempenho e que passem a ser mais sustentáveis sem o apoio externo.

O que pode vir a acontecer, e que tanto defendo, é a eliminação do apoio directo ao orçamento. Acho que os americanos estão certos em não prestar apoio directo ao orçamento. Acho que os europeus deviam seguir o mesmo exemplo.

Moçambique deve viver dos impostos que consegue encaixar. Esta medida seria um incentivo para a diversificação e criação de novas fontes de receitas fiscais: eliminação dos excessivos incentivos fiscais aos mega-projectos e promoção da produção nacional.

A ajuda externa iria surgir como complemento e apoio a programas concretos na área de educação, saúde, infra-estruturas, desenvolvimento empresarial, etc., e não ao orçamento do estado.

Não concordo com a teoria de que os países desenvolvidos querem explorar eternamente os mais pobres e que a ajuda externa é indesejável, cria dependência e que reduz a nossa capacidade de criatividade.

Nós próprios é que somos responsáveis por esta dependência externa, no dia que melhorarmos a eficiência com que esses fluxos de apoio ao desenvolvimento são aplicados, estaremos a dar os primeiros passos rumo à independência económica e que os países desenvolvidos, para além de continuarem doadores, passariam a ser nossos parceiros estratégicos de negócio.

Tudo depende de nós. Da nossa abordagem e atitude em relação a esses apoios. Tratando-os não como uma oportunidade para enriquecimento individual ou de um grupo de indivíduos, mas como uma oportunidade única para tirar o país da pobreza.

Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

MAIO: MÊS DE BOB MARLEY

Apenas para comemorar os 27 Anos da Morte do The King of Reggea, vejam como a "Babilónia" continua destruindo, sugando e humilhando.


Babylon System

We refuse to be


What you wanted us to be;


We are what we are:


That's the way (way) it's going to be.


You don't know!


You can't educate I


For no equal opportunity: (Talkin' 'bout my freedom)


Talkin' 'bout my freedom,


People freedom (freedom) and liberty!


Yeah, we've been trodding on the winepress much too long:


Rebel, rebel!


Yes, we've been trodding on the winepress much too long:


Rebel, rebel!




Babylon system is the vampire, yea! (vampire)


Suckin' the children day by day, yeah!


Me say: de Babylon system is the vampire, falling empire,


Suckin' the blood of the sufferers, yea-ea-ea-ea-e-ah!


Building church and university, wo-o-ooh, yeah! -


Deceiving the people continually, yea-ea!


Me say them graduatin' thieves and murderers;


Look out now: they suckin' the blood of


the sufferers (sufferers).


Yea-ea-ea! (sufferers)




Tell the children the truth;


Tell the children the truth;


Tell the children the truth right now!


Come on and tell the children the truth;


Tell the children the truth;


Tell the children the truth;


Tell the children the truth;


Come on and tell the children the truth.'




Cause - 'cause we've been trodding on


ya winepress much too long:


Rebel, rebel!


And we've been taken for granted much too long:


Rebel, rebel now!




(Trodding on the winepress) Trodding


on the winepress (rebel):


got to rebel, y'all (rebel)!


We've been trodding on the winepress much


too long - ye-e-ah! (rebel)


Yea-e-ah! (rebel)


Yeah! Yeah!




From the very day we left the shores


(trodding on the winepress)


Of our Father's land (rebel),


We've been trampled on (rebel),


Oh now! (we've been oppressed,yeah!)


Lord, Lord, go to ...