Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

MAIO: MÊS DE BOB MARLEY

Apenas para comemorar os 27 Anos da Morte do The King of Reggea, vejam como a "Babilónia" continua destruindo, sugando e humilhando.


Babylon System

We refuse to be


What you wanted us to be;


We are what we are:


That's the way (way) it's going to be.


You don't know!


You can't educate I


For no equal opportunity: (Talkin' 'bout my freedom)


Talkin' 'bout my freedom,


People freedom (freedom) and liberty!


Yeah, we've been trodding on the winepress much too long:


Rebel, rebel!


Yes, we've been trodding on the winepress much too long:


Rebel, rebel!




Babylon system is the vampire, yea! (vampire)


Suckin' the children day by day, yeah!


Me say: de Babylon system is the vampire, falling empire,


Suckin' the blood of the sufferers, yea-ea-ea-ea-e-ah!


Building church and university, wo-o-ooh, yeah! -


Deceiving the people continually, yea-ea!


Me say them graduatin' thieves and murderers;


Look out now: they suckin' the blood of


the sufferers (sufferers).


Yea-ea-ea! (sufferers)




Tell the children the truth;


Tell the children the truth;


Tell the children the truth right now!


Come on and tell the children the truth;


Tell the children the truth;


Tell the children the truth;


Tell the children the truth;


Come on and tell the children the truth.'




Cause - 'cause we've been trodding on


ya winepress much too long:


Rebel, rebel!


And we've been taken for granted much too long:


Rebel, rebel now!




(Trodding on the winepress) Trodding


on the winepress (rebel):


got to rebel, y'all (rebel)!


We've been trodding on the winepress much


too long - ye-e-ah! (rebel)


Yea-e-ah! (rebel)


Yeah! Yeah!




From the very day we left the shores


(trodding on the winepress)


Of our Father's land (rebel),


We've been trampled on (rebel),


Oh now! (we've been oppressed,yeah!)


Lord, Lord, go to ...

Terça-feira, 15 de Abril de 2008

Caríssimos,
Por razões adversas não poderei postar nos próximos meses de 2008. Se tudo correr bem, aguardem a continuidade deste blog a partir de Janeiro 2009. Saio com a certeza de que os 3 blogs recentemente criadas na área de economia e finanças poderão cobrir e muito bem este silêncio.
Aos leitores e bloguistas, muito obrigado pelo acompanhamento e encorajamento.

Domingo, 13 de Abril de 2008

PORQUÊ A HCB AINDA NÃO É NOSSA (3)

HCB e EDM: Um Casamento Esquisito

“O governo confiou à Electricidade de Moçambique (EDM) a gestão da totalidade das acções que reverteram no ano passado para a República de Moçambique, representando 85 por cento do capital social da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), tendo para o efeito sido criada a Companhia Eléctrica do Zambeze, SARL (CEZA), cujo capital social é 100 por cento da EDM.

Com esta medida, segundo revelou o Presidente do Conselho de Administração da EDM, Manuel Cuambe, inverteu-se o cenário que caracterizava as negociações para o aumento da alocação da energia para Moçambique.

Com a reversão da HCB, de acordo com o Manuel Cuambe, em pouco mais de dois meses a EDM obteve o acordo para o aumento da alocação de energia para o país em 100 Mega Watt (MW), sendo que os primeiros 50 MW estarão disponíveis a partir de Abril de 2008, quando no passado, um acordo do género levaria anos a consolidar...”
Jornal Domingo de 06/04/08, pág. 16.

Cada dia que passa os contornos da “nossa HCB” vão ficando cada vez mais complexos e incompreensíveis. Já há muita coisa que o cidadão comum não sabe (nem tem como saber) sobre a reversão da empresa para Moçambique.

Agora nos brindaram com esta. A HCB já não é nossa, é da EDM. Ou seja, é mais ou menos nossa por via da EDM, visto ser uma empresa pública e não privada como tentou recentemente pregar a Primeira-dama numa das suas digressões pelo país. Contudo, ela pode ter as suas razões quando diz que a EDM é privada.

A EDM acaba de receber um presente de “ouro”. Trata-se de uma empresa que lhe fornecer a sua principal matéria-prima (energia). Portanto, a EDM tem quase que um total controlo sobre o seu principal fornecedor.

Esta situação coloca-nos duas questões por responder:

(1) Porquê criar uma empresa (CEZA), 100% controlada por uma outra (EDM) para gerir participações de Moçambique na HCB, se o próprio estado criou o Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE) para esse efeito?

Primeiro, a notícia acima não apresenta as razões que levaram o governo a concluir que as acções da HCB só estariam em boas mãos, se estivessem com a EDM. O PCA da EDM, citado pelo Domingo, apenas falou da vantagem da reversão no processo das negociações para o aumento da alocação da energia. Quanto a este ponto, Moçambique pode continuar a desfrutar da mesma vantagem, mesmo sem entregar as acções à EDM.

Segundo, imaginem que em cada uma das tantas empresas onde o estado possui participações, se criasse uma empresa para as gerir, quantas empresinhas de gestão de participações do estado (com volumosas estruturas de custos - salários dos PCAs, regalias, etc.), teríamos em Moçambique? E que pobreza estaríamos a combater com tamanha irracionalidade na gestão e alocação dos recursos públicos?

Ou ainda, com esta decisão, não estará o estado a exigir demais da EDM? Quantas contas, a EDM vai passar a prestar? Não bastam as suas contas que também não são tão saudáveis? E como é que um anãozinho que é a EDM passa a responder por gigante que é a HCB?

O mais lógico era transformar a EDM numa empresa ou departamento da HCB. Esta seria responsável pela distribuição interna de energia. Apesar de esta opção conferir alguma participação automática de Portugal na EDM, a saída nunca seria a de entregar a gestão das acções da HCB à EDM. Nunca! E muito menos, criar uma empresa (CEZA) para esse efeito. Temos o IGEPE, porquê não maximizar a actuação desta importantíssima instituição do estado? Se esta já está constituída, possui experiência e uma “pesadíssima” máquina de gestão. Imaginam quanto custa aos cofres do estado o funcionamento da IGEPE? Porque criar outras IGEPEs por ai?

(2) Como viabilizar uma HCB, já com fraco desempenho económico-financeiro e endividada até aos “cabelos”, se actualmente, é controlada pela EDM um dos seus principais clientes?

Acho que há conflito de interesse nesta operação de controlo da HCB pela EDM. Se a EDM detém o seu principal fornecedor de matéria-prima, teoricamente é possível ditar os preços de compra de energia, o que pode afectar a viabilidade e liquidez da HCB, para além de interferir negativamente na sua gestão.

Se é que entendi bem, uma das certezas do Estado de que a HCB iria aguentar com o serviço da dívida (da compra avalancada/ Reversão), estava associada ao facto da HCB poder rever os preços que estavam sendo praticados naquela altura e acho que isso poderia se aplicar à EDM, a não ser que tenhamos que escolher entre a viabilidade e a causa social.

Para mim, a EDM e HCB tem que continuar a ser empresas distintas. Ou no mínimo, a EDM é que deve ser controlada pela HCB e não o contrário.

A série HCB continua...

Quarta-feira, 9 de Abril de 2008

Economia de Moçambique em Debate


‘’A INTEGRAÇÃO REGIONAL E A ECONOMIA DOS PAISES DA CPLP’’
VII REUNIÃO DOS ECONOMISTAS DOS PAISES DA CPLP
CENTRO DE CONFERÊNCIAS JOAQUIM CHISSANO


Arrancou hoje a VII reunião dos economistas dos Países da CPLP. Já havia anunciado neste espaço o processo de inscrições e submissão de papers para o encontro.

Pelo programa (que pode ser VISTO AQUI) dá para avaliar a importância deste encontro na medição das reais implicações da Integração Regional, para além de constituir mais uma oportunidade para se reflectir sobre os problemas que afectam o nosso desenvolvimento. Espero que o encontro produza resultados e que sirva de um espaço para um franco e desapaixonado debate de ideias.

Depois de ter acesso aos materiais do encontro, vou apresentar um breve resumo das principais conclusões e recomendações, para além de cruzar esses resultados com a minha visão sobre a integração regional e o desenvolvimento de Moçambique.

Até breve,

Terça-feira, 1 de Abril de 2008

Bolsa de Valores e Índices Bolsistas (3)

Importância dos Mercados de Capitais/ Bolsas de Valores no Desenvolvimento Económico

A maior dinâmica da economia mundial, movida pelo fenómeno da globalização, está na origem da grande expansão da circulação de fluxos de capitais e do comércio livre, culminando com a criação de oportunidades de acesso aos mais variados mercados de capitais, contribuindo para o enriquecimento do portfolio de investimentos.

A economia globalizada impõe condições desafiadoras, principalmente para mercados emergentes. A crescente complexidade dos mercados e a volatilidade dos fluxos de capitais, exige maior compreensão sobre o conceito do Mercado de Capitais (MC) e em particular a Bolsa de Valores (BV), permitindo potenciar os agentes económicos de capacidades para avaliar activos reais e financeiros, analisar tendências, desenvolver estratégias, entender os seus fundamentos teóricos e a sua importância na economia.

O fortalecimento do mercado de capitais é um passo fundamental para a garantia do financiamento de longo prazo da economia, um suporte muito importante para um crescimento e desenvolvimento sustentáveis do país.

O Mercado de Capitais sendo o maior dinamizador do sector financeiro contribui para a consolidação da correlação existente entre o sector e a taxa de crescimento de longo prezo da economia.

Este mercado constitui um elemento essencial para o desenvolvimento, sobretudo para países em desenvolvimento como Moçambique, na medida em que constitui uma alternativa muito forte para o financiamento dos investimentos, sendo também uma via segura de entrada de investimentos externos ou acesso a fontes de financiamento internacionais, bem como, aplicação de poupanças com rendimentos mais elevados.

Através dos ganhos de produtividade que proporcionam às empresas, lança bases para o aumento da competitividade, expansão de investimentos e empregos.

Facilita os processos de privatização, contribuindo para que o preço das transacções entre o estado e os investidores seja mais justo.

Permite um conhecimento mais fácil do valor das empresas e a alocação do capital de acordo com esse valor.

Facilita a gestão do risco e as transacções entre os agentes económicos e contribui para o aumento da eficiência, transparência empresarial e incentiva a gestão profissional das grandes empresas, sendo estimuladas a buscar melhores resultados através do acompanhamento por especialistas de instituições financeiras e dos investidores institucionais, bem como a fiscalização dos accionistas e dos credores. Ainda, a subida das cotações e o aumento da confiança aos instrumentos colocadas no mercado (acções, obrigações, etc) pela empresa depende do seu bom desempenho e do seu reconhecimento por outros agentes económicos ou pelo público no geral.

O mercado de capitais, influencia a redução das taxas de juros e dos custos de transacção, pois aumenta a disponibilidade de fontes de financiamento, o que leva a uma concorrência desenfreada entre os intermediários financeiros, favorecendo por fim os investidores.

Tal acontece porque as taxas de juro das obrigações são mais atractivas do que das do depósito a prazo, o que pode levar aos bancos a reagir criando contas especiais com remunerações próximas ou iguais, favorecendo aos aforadores.

O mercado das obrigações incentiva desta forma a poupança, que se repercute na maior disponibilidade de fundos na economia, a um custo mais baixo.

Investir em obrigações, tem a vantagem de se poder recorrer à cobrança do capital e dos juros a qualquer momento, o que não acontece com os depósitos a prazo, onde é obrigatório realizar essas operações só no período de vencimento, sob pena de perder os juros no caso de levantamento antes do prazo.

Normalmente, o Estado para atender às suas despesas correntes emite títulos de dívida de curto prazo, os conhecidos por Bilhetes de Tesouro. Mas, quando se trata por exemplo de construir uma rede de estradas ou introduzir uma reforma ao nível da educação, há toda uma necessidade de recorrer à dívida de médio e longo prazos, sendo neste caso o Mercado de Capitais a solução, podendo reduzir desta forma a tendência de endividamento e dependência da volatilidade de capitais externo.

A dívida interna, para além de incentivar a poupança interna, é vantajosa pois aumenta a liquidez na economia, pois os juros revertem normalmente a agentes internos evitando assim a dolarização da economia e garantido a confiança e estabilidade da moeda interna.

O mercado de capitais está na raiz da inovação tecnológica que melhora o desempenho da economia. Um mercado de acções encurta o caminho em direcção ao aumento da produtividade porque pode conduzir à:

Diminuição de riscos

Um mercado de capitais dilui os riscos inerentes aos investimentos. Os riscos são melhor administrados quanto mais liquidez houver no mercado. Nestas condições de riscos diluídos o investidor tende a distribuir seu capital por um número mais amplo de empresas e a aumentar suas apostas em novos projectos de base tecnológica, justamente os de retornos mais promissores, ainda que de maiores riscos. Trata-se de um círculo virtuoso que conduz a economia de um país a patamares mais elevados de competitividade.

A falta de aposta a um mercado de capitais dinâmico, pode minar as bases que poderiam assegurar fontes novas de financiamento para investimentos em empresas com propensão à inovação. O país pode perder a chance de alterar seu perfil tecnológico e permanecer amarrado à produção de bens e serviços tradicionais e de menor valor no mercado global, o que também prejudica o desempenho da balança comercial.

Facilidade das fusões

O ambiente de competição globalizada tem imposto às companhias condições de sobrevivência mais exigentes. Tornou-se comum a realização de fusões, associações e parcerias. São formas de permitir a criação de empresas com poder para actuar no novo cenário mundial. O objectivo é elevar a escala de produção, aumentar a produtividade, reduzir custos e, como consequência, assegurar quotas maiores de mercado.
Um mercado de capitais forte tende a facilitar este movimento. As grandes fusões são movidas elevadas somas de dinheiro. Com alta liquidez, as acções das empresas envolvidas nos negócios tornam-se a moeda que os viabiliza. O mercado accionário transforma-se, assim, na alavanca destas operações tão comuns na actual etapa do capitalismo global. Em síntese, maiores escalas de produção dependem da fusão de companhias, que serão tão mais fáceis quanto mais desimpedidas forem as trocas de acções, cujo valor será tão mais elevado quanto maior for a liquidez do mercado.

As empresas nacionais são vulneráveis perante concorrência internacional. Com o fortalecimento do mercado de capitais, maior será a liquidez da economia, contribuindo para o fortalecimento das empresas e geração de mais riqueza e empregos no país.

Fortalecimento das actividades de "venture capital"

As empresas capital de risco são empresas especializadas em descobrir inovações e transformá-las em grandes negócios. Elas estão no meio do caminho entre a boa ideia e o lucro que daí pode advir. Com o papel de correr riscos em busca da melhor aposta. Descobrindo, entre milhares de projectos, um que se transforme num bom negócio. E é justamente neste aspecto que as "venture capital" auxiliam o desenvolvimento tecnológico. Elas acabam se tornando numa alavanca que induz a pesquisa e viabiliza novas tecnologias porque as transformam em negócios viáveis e passíveis de serem comercializados.

A propensão dos investidores em colocar seus recursos em projectos empresariais com grande capacidade de retorno mas com alto grau de risco, está ligada à institucionalização de portas de saída desimpedidas. As apostas das "venture capital" têm um prazo médio de maturação, depois do qual elas podem ou não se transformar num bom negócio. Um mercado accionário que dispõe de liquidez e, por isto, comporta riscos é a maior garantia de que o capital investido em boas ideias poderá traduzir-se em bons investimentos. É a robustez do mercado que dá acolhida à Oferta Pública de Acções, selando, assim, a mutação de uma proposta original em um negócio que pode interessar a qualquer investidor em acções.


CONTINUA COM:
(1) Índices Bolsistas e

(2) Segurança Social (INSS) e Fundos de Pensões – sobre este assunto confira meu comentário AQUI. E ainda, só para reforçar a importância deste assunto, cerca de 25% das acções de empresas nos Estados Unidos são detidos por Fundos de Pensões.

Quinta-feira, 20 de Março de 2008

CHAPA 100, COMBUSTÍVEL E PÃO: MAIS UMA RAZÃO PARA REPENSARMOS NO NOSSO DESENVOLVIMENTO

(3C) Parte Final do Artigo do Dr. Prakash Ratilal - Sobre a Cooperação que Promove o Desenvolvimento Real: O Fortalecimento das Capacidades e Iniciativas Locais, com ênfase no Sector Produtivo

Ilustres colegas, economistas e gestores,

Estes são alguns dos desafios importantes a enfrentar. É evidente que há muitos outros desafios a vencer no plano interno de cada um dos países. Entre outros aspectos, é da responsabilidade dos países emergentes, dos seus governos e agentes económicos, continuar a agir no sentido de criar condições mais propícias para o bom ambiente de negócios, reduzir a burocracia, tornar mais céleres os processos administrativos e os processos de decisão, reduzir substancialmente os custos de transação, honrar os actos e contratos, eliminar a corrupção, atrair uma imigração selectiva visando o desenvolvimento e elevar a competitividade e internacionalização das empresas nacionais.

Acredito que o continente africano tem um futuro de desenvolvimento em que os respectivos povos beneficiem. Não acredito em fatalismos. Os países africanos não estão condenados a permanecer pobres e na miséria. Acredito na cooperação com a Europa, mas o paradigma deve ser ajustado, respeitando o direito legítimo dos cidadãos dos nossos países que também aspiram desfrutar do desenvolvimento.

A responsabilidade pelo futuro pertence-nos. Isso certamente que trará benefícios para todos nós. Esta é a minha utopia. Creio que a Europa e a Africa estão condenadas à cooperar com vista ao desenvolvimento dos países africanos, fortalecendo a sua capacidade produtiva, o que permitirá gerar benefícios recíprocos.

Neste processo, os Estados, os Governos, as instituições públicas, os bancos e as empresas deverão trabalhar em prol deste ideal: acabar com a pobreza e as desigualdades em Africa, elevar a capacidade interna dos países para valorizar os recursos disponíveis, gerar riqueza e promover uma redistribuição que beneficie todas as partes.

Alternativa a isto é continuar a ver africanos em barcaças clandestinas, tentando saltar o muros dos países do Mediterrâneo, ofuscados e ou iludidos com o bem-estar material que reluz a partir do Norte.

Creio que o interesse da Europa será melhor servido se contribuirem seriamente para que os países africanos saiam efectivamente da miséria. Para tal, é essencial ampliar a classe média produtora, ampliar os mercados e estruturar as relações de tal forma que no plano dos negócios os empresários da Europa e os Africa sejam de facto parceiros. Não se trata de parcerias que começam uma ´joint venture´ numa base de 50% / 50% e, logo que a sociedade obtenha licenças ou alvarás, o parceiro local é reduzido a uma posição irrelevante na empresa. Estes, com visão de curto prazo, em nada contribuem para o desenvolvimento. Sair deste ciclo de dependência significa apostar no desenvolvimento real e em parcerias genuínas.

E a prioridade é assegurar a competitividade das nossas economias. Apesar das dificuldades no plano interno, Portugal está numa posição privilegiada. Na defesa dos seus interesses em Africa, Portugal pode servir de advogado junto da União Europeia, do G7 e dos organismos multilaterais no sentido de ser promovido o paradigma da criação das capacidades produtivas nas nossas economias com vista à elevação da sua competitividade interna e internacional.

A língua portuguesa é certamente um elemento facilitador mas convenhamos que em inglês ou em chinês também se fazem bons negócios e duradouros. A língua comum é importante mas não é condição suficiente. Sempre que nos encontramos, movem-nos sentimentos genuínos de irmandade, abraçamo-nos com emoção, falamos e agimos descomplexadamente. Isso facilita, mas creio ser justo referir que o substracto do futuro assenta-se na forma como cooperarmos e como dividimos o bolo da riqueza gerada ou que vai ser gerado.

Quando cada vez mais um maior número de pessoas poder desfrutar de mais e mais desenvolvimento, certamente que teremos um mundo melhor.

Em minha opinião, Portugal dispõe de vantagens competitivas designadamente no sector da construção civil, na indústria subsidiária da construção civil, na indústria ligeira, nos serviços relativos com a indústria hoteleira e de turismo, na experiência de gestão de projectos e de empresas, entre muitos outros. Portugal possui pequenas e médias empresas que já não são competitivas à escala europeia ou mundial, mas que poderão ter alguma viabilidade no quadro da SADC (Comunidade dos Países da Africa Austral), se deslocalizadas e implantadas nos nossos países.

Portugal possui uma rica experiência na ligação de empresas, com as universidades e o mercado. Dispõe de recursos humanos qualificados que podem formar e treinar massivamente os nossos técnicos nas diversas disciplinas. Portugal possui inúmeros técnicos médios, graduados de institutos politécnicos e de faculdades, que interessam às nossas economias. Muitos deles estão desempregados, com frequência recebendo subsídios. Outro desafio consiste em transferir ou disponibilizar estas capacidades para Angola e Moçambique nos quadros de uma cooperação sã, sempre com respeito às leis e regulamentos em vigor nos nossos Países.

A União Europeia certamente que possui alguns fundos para financiar estas actividades de cooperação. Para além disso, será possível conceber-se algo na qual se semeia hoje para se colher amanhã? Temos à nossa frente um mercado da SADC com 220 milhões de pessoas, com oportunidades imensas. Parcerias em que todos ganham, empreendimentos em conjunto entre empresários locais e empresários europeus, proporcionam oportunidades que geram riqueza que, a prazo, podem reembolsar através da geração de dividendos. É fundamental olhar a longo prazo.

Creio que assim a vocação europeia de Portugal será melhor alicerçada com o aprofundamento e o desenvolvimento da sua vocação africana. O fundamental é conceber-se o quadro do relacionamento na qual os vários interesses sejam devidamente incluídos e que tenham como objectivo criar capacidades produtivas nos nossos países.

Moçambique e Angola já possuem elites económicas, sedimentadas no orgulho nacional e na auto-estima que, devem ser envolvidas em parcerias mutuamente vantajosas, perspectivando o longo prazo.

Os desafios são imensos e as oportunidades inúmeras. A nossa tarefa é encontrar as soluções e criar condições para sejam materializadas em benefício múto.

Esta série CONTINUA com: A minha visão sobre o Desenvolvimento de Moçambique

Domingo, 16 de Março de 2008

Bolsa de Valores e Índices Bolsistas (2)

Bolsa de Valores de Moçambique

Funcionamento

A Bolsa de Valores de Moçambique (BVM) foi constituída em 1998 (Decreto n.º 49/98 de 22 de Setembro, BR 37, I Série). A bolsa é regulamentada pelo Ministério do Plano e Finanças e supervisionada pelo Banco de Moçambique.

A BVM começou a funcionar em Maio de 1999, sendo a primeira operação realizada em Outubro do mesmo ano, com a emissão pelo Estado Moçambicano de Obrigações do Tesouro no valor de 60 milhões de meticais, cerca de um por cento do total dos investimentos do Governo previstos para aquele ano. A empresa Cervejas de Moçambique foi a primeira empresa a ser cotada na bolsa de valores.

A iniciativa do surgimento da BVM foi do Governo e não privada como acontece em países desenvolvidos. Isto aconteceu quando o processo das privatizações terminou e ainda havia uma única fonte de financiamento para a realização de investimentos. E que foi notado que diversificando as fontes de financiamento, haveria uma fuga de clientela nos bancos, que estes por sua vez serão obrigados a reduzir as condições de financiamento a favor dos empresários.

Ainda, depois das privatizações, o Estado havia ficado com participações minoritárias de muitas empresas. Para se eliminar essas participações era preciso um mercado transparente onde as transacções seriam feitas abertamente.

Qualquer empresa, desde que, estatutariamente, se tenha estabelecido como uma sociedade anónima, pode ser admitida na bolsa. Todavia, existem determinadas condições de elegibilidade que se devem observar, como: (1) Possuir um montante de 17 milhões de Meticais de capitais próprios, de modo a garantir o retorno ao público e evitar a delinquência bolsista (fraude aos investidores); (2) Possuir uma dispersão do seu capital social de 15%, pelo público e (3) Que as suas acções tenham uma livre transmissibilidade, isto é, que não existam direitos de preferência, muitas vezes instrumentos impeditivos para a livre transacção dos títulos no mercado.

A luz desses pré-requisitos, por exemplo, a HCB não passaria ao primeiro teste. Como procurei mostrar num dos posts, a HCB possui capitais próprios negativos. Na prática não possui capital próprio, todo o património da HCB pertence teoricamente aos seus diversos credores. Ou seja, a HCB até agora é uma empresa tecnicamente falida, contudo esperemos pelas próximas demonstrações financeiras.

Qualquer empresa ou cidadão pode comprar ou vender títulos (acções, obrigações, etc.) na BVM, basta contactar um intermediário financeiro, preencher uma ordem na qual se indica a quantidade e o montante de títulos a adquirir e daí se pode dar um aconselhamento. Depois se envia as ordens e o sistema faz o devido encaixe. O mesmo se faz para a venda e o banco deve confirmar a sua posse de títulos.
A BVM funciona no Prédio 33 Andares. Esta abre ao público nas Terças, Quintas e Sextas das 9H às 12H. Actualmente estão cotadas na BVM, 12 emissões de obrigações (dos quais, 5 de Obrigações de Tesouro; 3 do Millenium BIM, 1 TDM, 1 mCel, 1 EMOSE e 1 Standard Bank) e 2 emissões de acções (Cervejas de Moçambique: CDM e CDM-GTT), de acordo com o Boletim de Cotações de 10/09/07.

Os principais intermediários financeiros na Bolsa de Valores de Moçambique são BPI-Dealer, Standard Bank, Barcleys, Millenium BIM, BCI Fomento e Cooperativa de Poupança e Crédito.

A título de exemplo, a seguir apresento o contexto que norteou a emissão das Obrigações de Tesouro, Obrigações das TDM e Acções das Cervejas de Moçambique.

Obrigações de Tesouro: Emissão da Dívida Interna do Estado Moçambicano

O governo contraiu, em Maio 1999, um empréstimo obrigacionista, num montante de 60 milhões de Meticais. Esta emissão visava alcançar dois objectivos fundamentais. Por um lado, tratava-se de uma iniciativa para mitigar o défice orçamental do Estado, particularmente para os seus projectos de investimento, através de recurso ao mercado doméstico.

O resultado imediato que se vislumbra desta iniciativa é que paulatinamente, vai-se revertendo a tendência que se tem observado de dependência de credores e doadores internacionais, para o financiamento do défice. Por outro lado, com a introdução deste instrumento, o governo aposta na operacionalização e desenvolvimento do mercado de capitais no país, pois cria-se uma alternativa de os aforradores canalizarem as suas poupanças para o investimento. Assim, criou-se uma oportunidade para outros emitentes privados, recorrerem a instrumentos similares, e através da bolsa de valores procederem a sua emissão.

O processo de emissão foi entregue, após concurso, ao grupo Banco Português de Investimentos/ então Banco de Fomento. As obrigações com reembolso em três anos, numa taxa de juro variável e indexada à taxa de redesconto do Banco de Moçambique (9,95%), foram leiloadas apenas para as instituições financeiras, que depois poderiam vendê-las ao público.

Obrigações: Empréstimo obrigacionista das TDM

A empresa Telecomunicações de Moçambique (TDM) tornou-se a primeira empresa pública a emitir um empréstimo obrigacionista no país. A TDM emitiu um empréstimo de 48 milhões de Meticais para financiar a expansão da sua rede de telefonia móvel ao norte do país. O empréstimo tem um prazo de três anos com juros semestrais.

A expansão da rede móvel da TDM permitiu o aumento da capacidade, que passou a suportar cerca de 100 mil utilizadores, quase o dobro dos que possuía antes da emissão. Com a expansão a telefonia móvel cobriu Maputo, Xai-Xai, Beira, Chimoio, Manica, Tete, Songo, Nampula, Nacala, Ilha de Moçambique e o Corredor Maputo-Ressano Garcia.
O projecto de expansão estava orçado em cerca de 455 milhões de Meticais e foi financiado pela Agência Francesa de Desenvolvimento, pelo Banco Europeu de Investimento e pelo empréstimo obrigacionista emitido. Grande parte dos recursos necessários para a concretização do projecto proveio de receitas próprias da TDM.

A TDM possuía na altura da emissão um activo de cerca de 3.486 milhões de Meticais e capitais próprios de cerca de 2.077 milhões de Meticais. Detinha participações em diversas empresas prestadoras de diferentes serviços: as participações na Mcel, nas Listas Telefónicas de Moçambique, TV Cabo, Televisa, Teledata e Teleserve.

Este foi o sétimo empréstimo obrigacionista a ser cotado na Bolsa de Valores de Moçambique.

Acções: Privatização das Cervejas de Moçambique

Em Fevereiro de 2000, as 90 milhões de acções da empresa Cervejas de Moçambique (CDM), passaram a ser negociáveis, naquela que foi a primeira operação de privatização da Bolsa de Valores de Moçambique.

O processo de avaliação da empresa esteve a cargo de um consórcio constituído pelo BIM, então BCM, Banco Mello e Investe. Não só porque era a primeira, mas porque, a expectativa da reacção dos investidores sobre a oferta pública de venda da empresa que, em 1998, teve lucros líquidos de 11,3 milhões de dólares e uma facturação de 75 milhões de dólares, iria influenciar a atitude de sociedades emitentes na sua intenção de entrada na Bolsa.

Desafios

O Presidente da BVM concedeu uma entrevista ao Jornal Notícias, que para além de apresentar as várias actividades que a bolsa tem desenvolvido, tenta mostrar os desafios que o futuro coloca ao funcionamento desta.

Na minha opinião para a BVM ter a aderência desejada (tendo em conta o seu tamanho actual) a bolsa carece de acções concretas de divulgação. A BVM deve montar uma estratégia de comunicação e divulgação das suas actividades, tentando mostrar as vantagens que esta instituição financeira poderá oferecer à economia no geral e às empresas, aos cidadãos e ao Estado em particular.

A BVM deve procurar mostrar a vantagem entre contrair um empréstimo bancário e captar dinheiro através de uma emissão de obrigações na bolsa de valores. Mostrar a diferença entre abrir ou fechar o capital social das empresas.
Abrir o capital social significa uma dispersão deste, ou seja, parte das acções das empresas são detidas pelo público e negociáveis na bolsa, ou ainda, é possível captar capital para investimento via emissão de novas acções na bolsa.
Fechar o capital é o que tem sido prática actual das empresas em Moçambique, onde as acções são emitidas nas “esquinas”, entre amigos, rodeada por fortes mecanismos de sigilo e às vezes em operações fechadas e pouco transparentes.
É também tarefa da BVM, mostrar ao cidadão e às empresas a vantagem entre poupar via depósito a prazo num banco ou comprar acções ou obrigações na bolsa. Ainda, os que detém as acções ou obrigações cotadas na BVM ou o público no geral sabe qual é o momento ideal para vender ou comprar títulos na bolsa? Por exemplo, conversei com duas pessoas que têm algumas acções e outra com obrigações. Perguntei o que faziam com aqueles títulos ou que expectativas tinham sobre a valorização daqueles títulos nos próximos meses? Todos responderam que tinham os títulos como forma de guardar o seu dinheiro apenas. Não havia nenhuma ideia sobre expectativas ou possibilidade de realizarem ganhos associados à venda dos títulos no memento certo.
Ou seja, o cidadão que detinha acções esperava apenas ganhar dividendos ao logo do tempo (independentemente de haver ou não sinais de perda de valor das mesmas) e o que tinha obrigações esperava juros ao longo do tempo e o capital investido na data de vencimento do título. Então, que liquidez podemos esperar de uma bolsa onde os agentes não tem capacidade de formar expectativas em relação aos títulos que detém?

O outro problema que afecta ou continuará a afectar o desenvolvimento do mercado de capitais em Moçambique é a falta de estratégias que incentivam a produção e à criação de pequenas e médias empresas. Nos meus posts tenho tentado mostrar que um dos maiores entreves ao desenvolvimento do país é a falta de produção interna, e que se tal cenário continuar, reduzir-se-ão cada vez mais as nossas chances de tirar proveito da integração regional. A bolsa de valores é tão dinâmica, quanto mais dinâmica for a actividade económica num país e vice-versa. Por exemplo, a evolução dos índices bolsistas (de que vou falar nos próximos posts) representa o “transpirar” de uma economia viva e activa, o que passa pela produção, inovação tecnológica, melhores práticas e transparência na gestão, geração de emprego, crescimento económico e melhoria da qualidade de vida (desenvolvimento).

Os mega-projectos ou as multinacionais que operam em Moçambique poderiam estar cotadas na BVM e proporcionar maior visibilidade e credibilidade ao nosso mercado de capitais. Contudo, essas empresas estão cotadas nos seus países de origem ou em bolsas com alta liquidez, que movimentam enormes volumes de dinheiro e com menores custos de transacção (incluindo as taxas de juro). Então, estamos perante um desafio para a BVM e para a economia de Moçambique. Até que ponto a BVM poderá servir de alternativa para a captação de dinheiro para investimento por parte destas multinacionais, pelo menos para investimento em Moçambique? Já temos uma grande lista dessas multinacionais, como BHP-MOZAL, SASOL, etc., em breve CVRD-Carvão de Moatize e, se der certo, as empresas petrolíferas.

Por fim, a BVM já reflectiu sobre os impactos da integração regional no desenvolvimento do nosso mercado de capitais? O que estamos a fazer para garantir que os nossos agentes económicos (empresas e cidadãos) apliquem o seu dinheiro em Moçambique e não numa bolsa de valores de um outro país da região (como na África do Sul, Johnnesburg Stock and Excehange – JSE) onde irá beneficiar de maiores retornos do seu investimento e de maior liquidez do mercado? Essas são algumas perguntas que não foram feitas e por essa via não respondidas na entrevista concedida ao “Notícias”. Lembrem-se, a liquidez é condição necessária para um adequado funcionamento e desenvolvimento de qualquer mercado de capitais.

CONTINUA COM
(1) Importância dos Mercados de capitais/ Bolsa de Valores no Desenvolvimento Económico
(2) Índice Bolsistas